“Diga com quem andas, que direi quem tu és”

Todos nós já ouvimos essa frase da boca alguma vez na vida, inclusive vinda da boca dos nossos pais. Mas trata-se apenas de um dito popular ou essa frase tem mesmo um fundamento científico?

De um modo geral, as pessoas se conectam pela lei da afinidade, ou seja, queremos conviver com pessoas que pensam como nós, que gostam de fazer as mesmas coisas, que valorizam as mesmas coisas, que frequentam ambientes comuns, que gostam de viajar para os mesmos lugares, dentre outros. Isso acontece porque há uma identificação, uma sintonia. É muito fácil gostarmos de pessoas que se parecem conosco, porque elas nos entendem, compartilham do mesmo ponto de vista e isso fortalece os laços e impede atritos.

Contudo, é preciso ficar muito atento às pessoas que nos cercam porque elas também constituem o nosso grande espelho. O ciclo social e nossos amigos mais próximos dizem muito sobre nós. Eles retratam a forma como eu me vejo e como vejo o mundo. Apontam o modo como eu me sinto, a minha autoestima, o que eu mereço, o que sou capaz de fazer, ou seja, quem sou eu.

Se o indivíduo apresenta baixa autoestima, se ligará a pessoas que tenham o mesmo nível social e intelectual ou que tenham um nível social e intelectual inferior, para que ele se sobressaia. Terá dificuldade e até evitará lidar com pessoas com elevado poder aquisitivo. Frequentará lugares mais simples e, consequentemente, terá poucos modelos para se inspirar. São inúmeros os sentimentos que ligam as pessoas.

 

É preciso que você analise: O que faz com que você conviva com as pessoas com as quais você convive mais proximamente? O que te move para este ciclo de amizade? Além disso, você deve se perguntar também: “o meu ciclo social me faz crescer com pessoa, como profissional, pai, mãe, etc. ou me leva a fazer coisas que te prejudicam e geram conflitos familiares?”

 

Se os motivos que te ligam ao seu grupo mais próximo forem positivos, com trocas construtivas, conversas saudáveis, encontros sociais agradáveis, viagens harmoniosas,  etc, você deve manter-se nele, porém, se os motivos forem negativos, ou seja, desarmonia familiar, excessos de bebida, comida e outros, fofocas, agressividade, conversas inflamadas, palavrões, é hora de reavaliar os benefícios dessa relação.

O cientista Nicholas Christakis, em seu livro “O Poder das conexões”, revela que nós somos o resultado das cinco pessoas com as quais mais convivemos. Nossas relações sociais influenciam nossas ideias, emoções, saúde, relações, comportamento, pensamentos e muito mais. Assim, se a amiga do seu amigo engorda, você tem uma grande chance de engordar também, ainda que você não a conheça.

Isso explica porque os ricos ficam mais ricos, porque quando você entra num grupo que gosta de se alimentar de forma saudável você começa a fazer o mesmo, porque as pessoas que as pessoas começam a beber mais quando entram num grupo de beberrões, porque as pessoas passam a falar palavrão quando começam a conviver com outras que falam e por aí vai.

O fato é que quando começamos a conviver de forma próxima com alguém aprendemos a pensar como ela, a sentir o que ela sente e a agir como ela age. Sofremos uma forte influência da sua maneira de existir, de se relacionar consigo e com o mundo. Isso faz com que passemos a pensar, sentir e agir como ela o faz e vice-versa.

Assim, se uma pessoa que come muito começar a conviver com pessoas que se alimentam pouco, a primeira passará a comer menos e a segunda aumentará a quantidade de comida que ingere. Isso se dá tanto em relação aos aspectos positivos quanto aos negativos.

Analisemos a situação de uma pessoa que está desempregada e tem por ciclo social um grupo de pessoas negativas, sem visão, que não se autorresponsabilizam pelos seus resultados, que culpam o governo, a empresa, o chefe pelos seus problemas profissionais e que vivem reclamando da sorte. Essa pessoa, desanimada, desmotivada, provavelmente nem buscará trabalho por acreditar que não tem jeito ou o fará por desencargo de consciência, mas sem qualquer convicção. Provavelmente ficará deprimida, revoltada com a sorte e com Deus por não ter tido oportunidade.

Contudo, se este mesmo desempregado tiver por ciclo social um grupo de pessoas positivas, com visão, que acreditam que a crise gera oportunidades, que entendem que cada um constrói a sua realidade e a sua boa sorte, que se autorresponsabilizam pelos seus resultados, que esperam, mas fazem acontecer, esta pessoas estará motivada e confiante que encontrará um outro trabalho em breve, enviará currículo para diversos lugares com convicção, fará contato com todos os seus conhecidos, pensará em fazer algum curso de capacitação para atender melhor às exigências do mercado, dentre outros, e, certamente, muito em breve, ocupará novamente um posto de trabalho.

Podemos nos valer do contágio social para potencializarmos a nossa vida em todos os sentidos. Como assim? Procurando conviver com pessoas que têm aquilo que nós gostaríamos de ter ou que já vivem a vida que nós gostaríamos de viver. Se queremos ter um relacionamento conjugal duradouro e harmônico, devemos conviver com casais que possuem um relacionamento duradouro e harmônico. Se queremos crescer profissionalmente, devemos conviver com profissionais ou empresários de sucesso. Se queremos ser atletas, devemos conviver com atletas ou com pessoas que amam praticar esportes.

Mas em que isso ajuda? Quando convivemos proximamente das pessoas que já vivem a vida que nós queremos ter, nós aprendemos a pensar como elas pensam, aprendemos a sentir o que elas sentem e aprendemos a agir como elas agem. Essa mudança na nossa comunicação provocará mudanças na nossa vida, gerando os resultados que nós desejamos.

Além disso, é muito importante que no grupo do qual participemos sempre haja alguém que esteja melhor do que você, não para que seja alvo de inveja, mas ao contrário, para que te sirva de modelo e de inspiração. Ora, se formos o melhor do nosso grupo, na área que preciso melhorar, como vou crescer?

Vê-se, pois, que o seu contágio social pode ser um grande trampolim na sua vida, como pode ser grande fonte de destruição. É preciso reavaliar constantemente o seu ciclo social mais próximo para ver se eles são coerentes e te conduzirão aos seus objetivos ou se te afastarão deles.

Verificada a necessidade de se afastar, é preciso ter a coragem de fazê-lo. Isso não significa que você não poderá conviver com as pessoas que você gosta, mas que você diminuirá a frequência dos contatos, por saber que não te fazem bem. Por outro lado, deverá buscar conviver com pessoas cuja vida se aproximam dos seus objetivos.

Finalmente, podemos dizer que o ditado popular “diga com quem andas, que direi quem tu és”, é verdadeiro, possuindo inclusive embasamento científico.

Forte abraço.

Daniela Salomão

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