VÍCIOS EMOCIONAIS: O que são e por que prejudicam tanto a nossa vida?

Você tem mania de reclamar? Nunca se arrisca por que já sabe que não vai dar certo? Sempre se sente vítima das circunstâncias? Vive recomeçando? Sempre perde oportunidade de ser promovido ou de crescer profissionalmente? É sempre traído em seus relacionamentos ou sempre trai seu companheiro? Ganha dinheiro e perde com facilidade? Vive com dificuldades financeiras? Sente que está sempre lutando sozinho?

Se você manifesta qualquer um desses sentimentos ou comportamentos saiba: Você tem um VÍCIO EMOCIONAL! Na verdade, todos nós temos não apenas um, mas vários vícios emocionais, que precisam ser tratados para potencializar a nossa vida.

 

O que são vícios emocionais?

Os vícios emocionais são todo comportamento que te faz mal. Todo pensamento, sentimento e atitudes que você tem que te prejudicam, que te impede de viver os seus papéis, que impede você de ser a mãe, a mulher, a filha, a irmã, a amiga ou a profissional que você gostaria de ser. Não importa se você manifesta esse comportamento de forma conscientemente ou inconscientemente, desde que te prejudique, então se trata de um vício emocional.

 

Por que eu os denomino vício e não um mero comportamento negativo?

O que são vícios? São hábitos repetitivos que degeneram ou causam algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. Está ligado ao sentimento, à emoção que o vício provoca no viciado, qual seja o prazer, inobstante seja esse seguido da dor. O gatilho desse prazer é a química orgânica que é liberada no organismo, o hormônio que é produzido e pela repetição faz com que se crie uma dependência química no organismo.

O mesmo ocorre com os vícios emocionais!

Entenda que para cada tipo de emoção que sentimos, nosso organismo produz uma molécula de emoção correspondente. Assim, quando se está estressado, deprimido, se sentindo derrotado, o organismo produz CORTISOL. Quando se está feliz, se sentindo amado, realizado, o organismo produz OXITOCINA. Cada um desses hormônios alimenta o estado em que a pessoa se encontra, influenciando seu comportamento e pensamentos, reforçando suas crenças positivas ou negativas.

A presença contínua desses hormônios no organismo, decorrentes do hábito de se sentir estressado, deprimido ou derrotado, como foi o exemplo acima, faz com que o indivíduo crie uma dependência química.

É por isso que muitas vezes as pessoas querem mudar e sentem dificuldade. De fato, não se trata apenas de uma questão comportamental, mas também de um aspecto físico hormonal.

O fato é que quando o organismo sente a abstinência, o indivíduo dá um jeito de garantir que aquela química seja novamente liberada, ainda, que não queira mais agir daquela forma. Assim, a pessoas pode estar se sentindo bem e, de repente, ela cria uma situação de conflito, uma comparação, uma discussão, dá um jeito de perder algo importante pra si, de se boicotar, para trazer de volta aquele sentimento que aciona a produção do CORTISOL, para poder alimentar o seu vício.

 

Quais seriam exemplos práticos dessa situação?

A família vai para o sítio de amigos. Chegando lá estão todos alegres, animados e felizes. Com o passar das horas, o marido, que tem o registro “ninguém me ama”, “sou sempre abandonado”, de repente, começa a conversar sobre um assunto trivial com os amigos, vai alterando, a conversa vai se inflamando a ponto de virar discussão e em poucos minutos parte para a ofensa e torna-se indesejado e inconveniente no local, envergonhando a família e tendo de ir embora às pressas para não piorar a situação. Você já deve ter visto situações assim.

Um outro exemplo, é um jogador de futebol promissor, que treina muito bem, que está se destacando nas suas atividades e quando vira titular e está sendo preparado para ir para um campeonato importante, que pode lhe trazer visibilidade mundial e fazer deslanchar a sua carreira, por acreditar que “não merece prosperar, ou crescer na vida”, nas vésperas ou em um dos primeiros jogos cai e torce uma articulação, tendo de ficar fora do campeonato. Observe, isso não é fatalidade, isso é o inconsciente agindo para confirmar as crenças dele.

O mesmo podemos dizer de um profissional competente, comprometido, dedicado, cujo valor é percebido por todos os colegas de trabalho, sempre que está em vias de ser promovido, por acreditar-se “incapaz, não merecedor ou por ter medo de ser feliz” dá um jeito de pedir demissão “por acreditar não ser aquilo seu objeto de interesse” ou comete algum erro grave que deixa os patrões inseguros ou muda o gerente que o promoveria, entrando outro novo que não conhece os seus méritos e promove outra pessoa em seu lugar. Não é acaso, nem mesmo falta de sorte, é o inconsciente agindo para confirmar a sua crença.

É o caso, também, daquela jovem que deseja ter um relacionamento sério e estável, porém intimamente acredita que “não merece ser amada”, então ela sempre se conecta com homens que não querem nada sério ou que a traem ou ainda, não encontra ninguém, está sempre sozinha.

Os exemplos são inúmeros, basta que observemos a nossa vida e nos perguntemos: Quais são os meus vícios emocionais? Quais os sentimentos que tenho com frequência e que se repetem três, quatro, cinco vezes na semana, ou todos os dias? Aí estará a sua resposta.

 

Em relação aos exemplos acima, pergunto: Mas o problema não poderia ser dos amigos, do time adversário, do chefe ou dos homens em geral, respectivamente?

NÃO! Por que ainda que a pessoa mude de amigos, de time, de trabalho ou de parceiro, acontecerá a mesma coisa, porque o outro é o seu grande espelho. É o cálice no qual ele bebe o seu próprio veneno. É a tela onde ele reflete o seu filme. O outro é o gatilho que aciona o seu melhor e o seu pior.

É por isso que não resolve mudar de lugar ou de pessoas, É PRECISO MUDAR DE SI MESMO! Se você quiser curar os seus relacionamentos, você precisa curar os seus vícios emocionais! Pois se você deixa de se conectar com o outro com o seu pior e passa a se conectar com o seu melhor, resolveu o problema, esta relação não mais lhe trará dor ou prejuízo, mas ao contrário, alegria e satisfação.

 

Por que esses vícios se manifestam? Por que, mesmo sendo algo ruim, as pessoas continuam repetindo comportamentos prejudiciais?

Pense numa pessoa com a qual você precisa restaurar o seu relacionamento. Pense agora no seu comportamento em relação a ela. O que precisa ser restaurado? Por que o relacionamento é difícil? Pense em qual sentimento você tem quando acontece uma briga ou um desentendimento.

Agora, pense em uma situação da sua infância que te trouxe dor. Alguma frustração, decepção, tristeza, alguma situação vivida que te marcou. Qual o sentimento que você teve naquela ocasião? Agora observe, o que você sente atualmente quando briga com essa pessoa, se parece com o que você sentia na sua infância?

É na infância que temos o nosso maior aprendizado! Tudo o que sentimos repetidas vezes ou sob um forte impacto emocional gera um aprendizado, um condicionamento mental, ou seja, passa a ser uma verdade para a nossa mente. Assim, tendemos a buscar esse sentimento ao longo da vida adulta, pois foi este o sentimento aprendido como um lugar de “conforto”, por ser tão conhecido.

Assim, uma pessoa que aprendeu que a vida é dura e que dinheiro é difícil de ganhar, na vida adulta, mesmo sendo essa dor algo ruim, ela vai criar as circunstâncias para reproduzi-la, pois foi esse o aprendizado que teve. Então, mesmo quando essa pessoa tem a oportunidade de ter uma vida mais fácil ou de ganhar dinheiro sem trabalhar demais, internamente ela não aceita, não confia e dá um jeito de perder esta oportunidade e voltar para o padrão inicial.

Muitas vezes, a dor foi associada ao amor, pelo simples fato do aprendizado ter sido oriundo de falas e ações dos pais, irmãos, tios ou autoridades presentes na vida da pessoa, como professores e líderes religiosos.

 

Por que os vícios emocionais se manifestam com as pessoas mais próximas e geralmente com as que mais amamos?

Os vícios emocionais se manifestam com as pessoas mais próximas de nós por dois motivos: primeiro por que, em se tratando de vício, precisa ser alimentado diariamente e nada melhor do que ter o gatilho por perto.

Em segundo lugar, porque as pessoas escolhem a dedo as pessoas do seu relacionamento íntimo. Como diz a minha filha, “eita dedo podre”! As pessoas se conectam umas com as outras, a partir das suas lentes para si e para os outros. Assim, se uma pessoa se acredita desamada, humilhada, sem valor, ela vai sempre se conectar com outra que gosta de trair, que não dá atenção. Tudo isso, exatamente para alimentar o meu vício e confirmar a sua crença.

Observe-se que, a crença da pessoa é tão forte, que mesmo sem conhecer a outra, ela atrai para a sua vida aquilo que ela acredita merecer. No início, ela se sente feliz, porque chegou um homem lindo na sua vida, educado, com valores, bem sucedido, etc. Contudo, aos poucos, essa pessoa vai colocando pra fora os próprios vícios emocionais que dão o encaixe perfeito.

É por isso que para se iniciar um relacionamento, as pessoas precisam estar bem com elas mesmo, se amando e confiando em seu próprio potencial e merecimento. Isso fará com que atraiam pessoas positivas e se conectem com o melhor de cada um e não a partir do pior.

Quando uma pessoa sai de um relacionamento com dor ou trauma é preciso que se dê um tempo para se restabelecer, se curar, avaliar os resultados, ver sua parcela de responsabilidade, aprender com os seus próprios erros e, finalmente MUDAR!

Caso não faça nenhuma mudança, atrairá para a sua vida pessoas que lhe tragam o mesmo padrão emocional vivido no relacionamento anterior. Isso reforçará sua crença limitante a respeito de si mesmo e a respeito do que merece ter. A repetição faz com que as pessoas, ao invés de se autorresponsabilizarem, queiram achar um culpado, daí falarem que alguém fez um trabalho espiritual pra elas ou criaram um “vudu” para a sua infelicidade. Contudo, a única pessoa que está destruindo a vida dela, é ela mesmo.

 

Como vencer esses vícios?

O primeiro passo para vencer os vícios emocionais é autorresponsabilidade! É entender que você é a fonte de todos os desajustes e resultados negativos da sua vida e não o outro. É entender que o outro só existe para te ajudar a se enxergar.

O segundo passo é mudar os sentimentos que habitam o seu coração, pois assim, você impedirá a produção de moléculas de emoções negativas. Porém, é preciso colocar outra molécula de emoção positiva no lugar para que o seu organismo NÃO SINTA ABSTINÊNCIA e nem queira criar uma situação para trazer de volta aquele padrão.

Assim, você deverá cultivar o amor, a alegria e a gratidão na sua vida, pois esses sentimentos induzem a produção de OXITOXINA, hormônio que lhe dá prazer e sensação de bem estar. Através de estímulos positivos e de uma vigília constante, você deverá medicar-se várias vezes ao dia, com os seguintes remédios: vídeos inspiradores, leituras diárias, conversas saudáveis, processo de coaching, terapia ou outras ferramentas, participação em um grupo de estudo que expresse a sua fé, não se envolver em fofocas ou conversas negativas, não ouvir músicas negativas ou que fale apenas de traições e fracassos, evitar telejornais, dentre outros.

É preciso peneirar aquilo que se coloca pra dentro da nossa mente. Não se pode aceitar quaisquer coisas, sob pena de se tornar uma pessoa qualquer. Como diz Paulo Vieira, por que continuar sendo a mesma pessoa, se nós podemos ser muito, mas muito melhor? E nesse caso, não só podemos, como sabemos o caminho a seguir.

Conte comigo!

Forte abraço!

Daniela Salomão

 

 

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